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import streamlit as st
import pandas as pd
import plotly.express as px
import plotly.graph_objects as go
import json
import re
import os
from google import genai
from google.genai import types
# ==========================================
# 1. CONFIGURAÇÃO DA PÁGINA
# ==========================================
st.set_page_config(
page_title="Dashboard RAPI 2024-2025 - Florianópolis",
page_icon="📊",
layout="wide",
initial_sidebar_state="expanded",
)
# Estilização CSS que respeita o Tema (Light/Dark)
st.markdown(
"""
<style>
.metric-card {
/* Usa a cor de fundo secundária do tema atual */
background-color: var(--secondary-background-color);
/* Usa a cor de texto padrão do tema atual */
color: var(--text-color);
border-radius: 10px;
padding: 15px;
box-shadow: 0 2px 4px rgba(0,0,0,0.1);
border-left: 5px solid #1f77b4;
margin-bottom: 10px;
}
.titulo-indicador {
color: #1f77b4; /* Azul mantém o destaque em ambos */
font-weight: 700;
}
.texto-relatorio {
font-size: 1.1rem;
line-height: 1.6;
color: var(--text-color); /* Texto do relatório adapta ao fundo */
text-align: justify;
}
</style>
""",
unsafe_allow_html=True,
)
# ==========================================
# 2. FUNÇÕES DE DADOS E LIMPEZA
# ==========================================
@st.cache_data
def carregar_dados():
try:
with open("dados_rapi_completo.json", "r", encoding="utf-8") as f:
dados = json.load(f)
return pd.DataFrame(dados)
except FileNotFoundError:
st.error(
"⚠️ Arquivo 'dados_rapi_completo.json' não encontrado. Certifique-se de que ele está na mesma pasta deste script."
)
return pd.DataFrame()
def extrair_numero(valor):
"""
Função avançada para extrair números de strings sujas.
Lida com memórias de cálculo, decimais, milhares e números inteiros longos.
"""
if (
pd.isna(valor)
or valor is None
or str(valor).strip().upper() == "ND"
or str(valor).strip() == ""
):
return None
valor_str = str(valor).strip()
# Se houver um sinal de igual, o valor real do indicador está APÓS o igual
if "=" in valor_str:
valor_str = valor_str.split("=")[-1]
# Remove qualquer coisa que esteja dentro de parênteses (ex: notas de rodapé)
valor_str = valor_str.split("(")[0].strip()
# NOVA REGRA REGEX:
# 1º tenta achar formato de milhares (ex: 1.282,34 ou 212.303)
# 2º se não achar, captura números inteiros normais ou com decimal simples (ex: 1080, 2100, 10.18, 173,5)
match = re.search(r"-?\d{1,3}(?:\.\d{3})+(?:,\d+)?|-?\d+(?:[.,]\d+)?", valor_str)
if match:
num_str = match.group(0)
# 1. Tem Ponto e Vírgula (Ex: 1.282,34 -> 1282.34)
if "," in num_str and "." in num_str:
num_str = num_str.replace(".", "").replace(",", ".")
# 2. Tem apenas Vírgula (Ex: 173,5 -> 173.5)
elif "," in num_str:
num_str = num_str.replace(",", ".")
# 3. Tem apenas Ponto (Pode ser decimal 10.18 ou milhares 212.303)
elif "." in num_str:
partes = num_str.split(".")
# Se todas as partes após o ponto tiverem exatamente 3 dígitos, é milhar! (Ex: 212.303)
if all(len(p) == 3 for p in partes[1:]):
num_str = num_str.replace(".", "")
# Caso contrário, mantém o ponto pois é um decimal (Ex: 10.18)
try:
return float(num_str)
except ValueError:
return None
return None
def avaliar_cor_semaforo(valor, faixas):
"""
Determina a cor (Verde, Amarelo, Vermelho) avaliando regras lógicas complexas,
como intervalos (A-B) e múltiplas condições separadas por 'ou'.
"""
if valor is None or not faixas:
return "rgba(128, 128, 128, 0.5)" # Cinza para ND ou ausência de dados
try:
v = float(valor)
except ValueError:
return "rgba(128, 128, 128, 0.5)"
def avalia_condicao(regra_texto):
if not regra_texto or str(regra_texto).strip() == "":
return False
# Padroniza texto: minúsculo, remove '%', troca vírgulas por pontos
regra = str(regra_texto).lower().replace(",", ".").replace("%", "")
# Unifica todos os tipos de separadores de intervalo para um hífen simples
regra = (
regra.replace("–", "-")
.replace("—", "-")
.replace(" a ", "-")
.replace(" até ", "-")
)
# Divide regras compostas (Ex: "< 80 ou > 250" vira duas regras separadas)
condicoes = regra.split(" ou ")
for cond in condicoes:
# Extrai apenas os números contidos na condição atual
nums = [float(n) for n in re.findall(r"\d+\.\d+|\d+", cond)]
if not nums:
continue
# 1. Lógica para INTERVALOS (achou 2 ou mais números na mesma condição)
if len(nums) >= 2:
if min(nums[0], nums[1]) <= v <= max(nums[0], nums[1]):
return True
# 2. Lógica para OPERADORES com 1 número (Ex: > 250, < 80)
elif len(nums) == 1:
limite = nums[0]
if "<=" in cond or "≤" in cond or "máximo" in cond:
if v <= limite:
return True
elif "<" in cond or "abaixo" in cond or "menor" in cond:
if v < limite:
return True
elif ">=" in cond or "≥" in cond or "mínimo" in cond:
if v >= limite:
return True
elif ">" in cond or "acima" in cond or "maior" in cond:
if v > limite:
return True
elif "igual" in cond or "==" in cond:
if v == limite:
return True
return False
# Testa as regras na ordem (se atender, já retorna a cor)
if avalia_condicao(faixas.get("verde")):
return "#2ca02c"
if avalia_condicao(faixas.get("amarelo")):
return "#ff7f0e"
if avalia_condicao(faixas.get("vermelho")):
return "#d62728"
# Se não se enquadrar em nenhuma (ou for regra de texto puro), volta ao azul original
return "rgba(31, 119, 180, 0.4)"
df = carregar_dados()
if not df.empty:
df["tema"] = df["tema"].fillna("Geral")
df["subtema"] = df["subtema"].fillna("Geral")
# ==========================================
# PREPARAÇÃO DA IA (GEMINI)
# ==========================================
# Junta todos os textos das seções 1 a 9 que fizemos na aba de relatório
# No topo do arquivo ou antes da função do chatbot:
TEXTO_RAPI_COMPLETO = """
1. APRESENTAÇÃO: O 9º º Relatório Anual de Progresso dos Indicadores de Florianópolis (RAPI) é o
resultado da coleta e análise de indicadores de sustentabilidade ambiental,
urbana e fiscal, bem como um conjunto de recomendações aos entes públicos.
O documento dá visibilidade a um conjunto de 205 indicadores, e se baseia
na metodologia do Programa Cidades Emergentes e Sustentáveis (CES), do
Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Esse trabalho coletivo envolve, desde 2017, diferentes organizações tem como
objetivo acompanhar, de forma técnica e imparcial, o desenvolvimento da
cidade em questões que impactam a sua sustentabilidade e a qualidade de
vida de seus cidadãos
O Grupo de Trabalho que coordena a coleta, semaforização e elaboração do
relatório final do RAPI é composto pela Associação FloripAmanhã, a
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Observatório Social do Brasil
– Florianópolis.
2. CONTEXTO: O RAPI apresenta-se como importante ferramenta para que o poder público, as
entidades da sociedade civil e os cidadãos em geral avaliem as questões
urbanas a partir do real conhecimento de dados confiáveis e atualizados.
Além disso, à medida em que o cidadão se apropria de informações confiáveis
sobre seu território, o debate político se torna mais rico, mais participativo e
com melhores resultados para toda a população.
3. OBJETIVO: O objetivo geral do Relatório Anual de Análise de Progresso dos Indicadores
(RAPI) de Florianópolis é auxiliar o governo e a sociedade a estabelecerem e
seguirem prioridades com metas claras e mensuráveis, para o desenvolvimento
sustentável da cidade, e contribuir para a avaliação das políticas públicas
urbanas, a partir de uma visão técnica, objetiva e metodologicamente
embasada.
Para alcançar esses objetivos, este documento traz não somente os indicadores
em si, mas também recomendações aos entes públicos para que estes possam
aprimorar suas políticas públicas, de forma a viabilizar o atingimento de
melhores níveis de desenvolvimento sustentável.
Em nosso 9º exercício de monitoramento, trazemos a público um “raio-x” de
temas como mobilidade, saneamento básico, saúde, educação, segurança, uso
adequado do solo, entre outros que influenciam diretamente na qualidade de
vida de quem escolheu viver em Florianópolis.
4. ESTRUTURA: O RAPI está estruturado em 3 dimensões, 12 pilares e 25
temas. Cada tema é composto por um conjunto de indicadores que, em sua
maioria, são acompanhados desde 2017. A estrutura é a seguinte:
Dimensão Ambiental
1. Água
2. Resíduos Sólidos
3. Energia
4. Iluminação Pública
5. Uso do Solo
Dimensão Urbana
6. Mobilidade
7. Habitação
8. Saúde
9. Educação
10. Segurança
Dimensão Fiscal
11. Gestão Fiscal
12. Governança e Transparência
5. SEMAFORIZAÇÃO: A semaforização é uma ferramenta visual que permite
identificar, de forma rápida, quais indicadores estão em situação de alerta
(vermelho), quais estão em situação de atenção (amarelo) e quais estão em
situação de atenção (verde). Além disso, o relatório traz os indicadores que
foram classificados como novos ou que ainda não possuem dados suficientes
para semaforização (cinza).
No RAPI 2024-2025, temos a seguinte distribuição:
Verde: 40 indicadores
Amarelo: 34 indicadores
Vermelho: 26 indicadores
Cinza: 36 indicadores
Azul/Novos: 69 indicadores
6. INDICADORES RAPI
7. CONSIDERAÇÕES E RECOMENDAÇÕES: Tomando por base os valores levantados em 2025 e sua série histórica
para cada indicador, seguem abaixo as considerações e recomendações
referentes aos itens que mais necessitam de atenção e providências.
Deixamos de registrar comentários sobre a maioria dos aspectos em
“verde” por já terem alcançado níveis satisfatórios.
7.1 Dimensão Ambiental
7.1.1. Tema: Água - 06 indicadores
a) O indicador Consumo de Água Per Capita por Dia é essencial para
avaliar o uso sustentável dos recursos hídricos. Nos últimos cinco anos,
Florianópolis apresentou uma média de 173,1 litros/pessoa/dia, com
os seguintes resultados anuais: 172,9 litros em 2020, 163,1 litros
em 2021, 172,6 litros em 2022, 179,9 litros em 2023 e 178,9
litros em 2024 (CASAN). Pela semaforização atualmente
aplicada, que considera satisfatório o intervalo entre 120 e 200
litros/dia/pessoa, o município se encontra em condição verde,
indicando que o consumo está dentro do esperado para uma situação
considerada aceitável. No entanto, quando comparado ao referencial
internacional estabelecido pela ONU, de 110 litros/dia/pessoa
para atender adequadamente às necessidades básicas, observa-se que o
consumo em Florianópolis permanece consistentemente acima do
recomendado. Isso pode refletir tanto hábitos de uso excessivo
quanto ineficiências no sistema de distribuição e perdas ao longo da
rede. Embora o indicador local aponte uma situação positiva, é
importante reconhecer que níveis mais altos de consumo exercem
pressão sobre os mananciais, aumentam os custos de tratamento e
distribuição e podem comprometer a sustentabilidade hídrica a longo
prazo. Nesse sentido, torna-se fundamental consolidar políticas de
uso racional da água, incentivar tecnologias de reuso e eficiência,
além de reforçar campanhas de conscientização para a população.
b) O indicador de Qualidade da Água apresentou em 2024 o valor de
96,8%, uma ligeira redução em relação a 2023 (97%). Esse resultado
enquadra-se na faixa amarela (90% a 97%), que indica condição de
atenção. A média histórica dos últimos 10 anos, de 95,44%,
também permanece dentro dessa mesma faixa, o que demonstra que,
embora haja conformidade relativamente alta, o patamar não pode ser
considerado plenamente satisfatório, já que sistematicamente a
qualidade da água não alcança o nível mais elevado. Além disso,
persiste uma lacuna significativa: a ausência de regulamentação para
contaminantes por metais pesados e agrotóxicos, que não estão
contemplados nos parâmetros nacionais de avaliação. Essa omissão
representa um risco específico à saúde pública e ao meio ambiente,
dado o efeito cumulativo e potencialmente prejudicial desses
contaminantes. Assim, mesmo com índices relativamente estáveis, é
fundamental avançar tanto na elevação da conformidade quanto na
atualização dos critérios de monitoramento, de forma a garantir
maior segurança hídrica à população.
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c) A porcentagem de água não contabilizada em Florianópolis continua
sendo um desafio estrutural importante. Nos últimos 10 anos
(2014–2024), o índice apresentou uma média de 37,45%, muito
acima do patamar aceitável para uma gestão hídrica eficiente. Em
2023, o indicador havia registrado uma melhora para 35,87%, mas em
2024 voltou a subir para 38,09%, reforçando a oscilação e a
dificuldade de manter avanços consistentes. Esse cenário reflete perdas
significativas por vazamentos, ligações irregulares e problemas nos
sistemas de medição, que comprometem não apenas a eficiência do
abastecimento, mas também a sustentabilidade hídrica da cidade. Se
essa taxa de desperdício se mantiver, a pressão sobre os recursos
hídricos aumentará, especialmente diante do crescimento populacional.
É fundamental que a concessionária apresente estratégias claras e
consistentes para reduzir as perdas, seja por investimentos em
tecnologia, manutenção preventiva ou modernização da rede,
assegurando que a água tratada chegue de forma plena e sustentável à
população.
d) É extremamente preocupante constatar que, desde 2019, não
recebemos informações sobre o indicador “Número remanescente
de anos de saldo hídrico positivo”, conforme os parâmetros
solicitados. Trata-se de uma métrica estratégica, que reflete a
capacidade de uma região em manter o equilíbrio sustentável no ciclo
da água e, portanto, é essencial para o planejamento e para a tomada
de decisões que afetam diretamente a vida das comunidades e o
desenvolvimento do território. A ausência sistemática desses dados há
cinco anos compromete a possibilidade de avaliar riscos futuros e
adotar medidas preventivas eficazes. O saldo hídrico positivo não é
apenas um dado técnico: ele representa a garantia de acesso à água
potável, a preservação dos ecossistemas aquáticos, a segurança
alimentar e até a estabilidade econômica em regiões que dependem da
agricultura. A água é um recurso finito e essencial para a vida, e é
responsabilidade de todos nós, em especial dos gestores públicos,
garantir que ela seja gerenciada de forma responsável e eficaz para as
gerações presentes e futuras.
A análise dos indicadores relacionados à água em Florianópolis evidencia que os
desafios persistem e que as recomendações dos relatórios anteriores ainda não
se traduziram em melhorias significativas. O consumo per capita segue acima
dos parâmetros de referência internacionais, as perdas por água não
contabilizada permanecem em níveis críticos, e o indicador de qualidade da
água tem se mantido majoritariamente na faixa de atenção, sem alcançar de
forma consistente o patamar considerado ideal. Além disso, desde 2019 não há
divulgação do indicador “Número remanescente de anos de saldo hídrico
positivo”, o que representa uma lacuna grave no planejamento.
Diante desse cenário, é fundamental que tanto a Prefeitura de Florianópolis
quanto a CASAN adotem ações mais efetivas de gestão hídrica, com foco na
redução de perdas, uso eficiente, monitoramento mais rigoroso da qualidade e
transparência na divulgação de dados. Sem avanços concretos nessas frentes, a
cidade corre o risco de comprometer a segurança hídrica da população e a
sustentabilidade de seus recursos no médio e longo prazo.
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7.1.2. Tema: Saneamento e Drenagem – 03 indicadores
a) O índice de cobertura de ligações de moradias ao sistema de
esgotamento sanitário em Florianópolis permanece em um patamar
crítico. Em 2024, o percentual caiu para 64,81%, representando
mais um retrocesso em relação a 2023 (66,67%) e consolidando uma
tendência preocupante de queda nos últimos anos. Ao observar a série
histórica de 2014 a 2024, verifica-se uma evolução inicial — de 45%
em 2014 para 68,89% em 2021 —, seguida por um período de
estagnação e, mais recentemente, de regressão, com a taxa recuando
para níveis abaixo de 2018. Essa trajetória indica não apenas a
dificuldade da cidade em ampliar a cobertura de esgoto, mas também a
perda de avanços conquistados em anos anteriores. Esse cenário revela
um desafio estrutural grave: Florianópolis não tem conseguido
acompanhar o crescimento populacional com investimentos
proporcionais em infraestrutura de saneamento. A insuficiência de
cobertura compromete tanto a saúde pública quanto a preservação
ambiental, especialmente em uma cidade que depende da qualidade de
seus recursos naturais para sustentar o turismo e a qualidade de vida
da população. Para reverter esse quadro, é imprescindível que as
autoridades municipais e estaduais assumam o saneamento básico
como prioridade, garantindo investimentos contínuos, planejamento
integrado e transparência na execução. Sem medidas efetivas, a cidade
corre o risco de aprofundar desigualdades urbanas e comprometer sua
sustentabilidade no longo prazo.
b) O indicador de tratamento de águas residuais em Florianópolis
apresentou oscilações importantes na última década, variando de 51%
a 65,07% entre 2014 e 2024. Em 2024, registrou 63,15%, uma
melhora em relação ao resultado de 2023 (60,14%) e suficiente para
mantê-lo na faixa verde da semaforização (> 60%). Esse avanço em
relação ao ano anterior é encorajador e pode sinalizar uma retomada
positiva após o período de quedas consecutivas observado desde 2021.
Entretanto, o histórico revela fragilidade e falta de consistência, uma
vez que o indicador já esteve próximo do limite inferior da faixa verde.
Para consolidar uma trajetória de crescimento estável, é fundamental
que sejam aprofundadas as ações de investimento em infraestrutura,
modernização tecnológica e gestão operacional. Garantir a melhoria
contínua nesse indicador é essencial tanto para a preservação
ambiental quanto para a saúde pública, além de estar diretamente
ligado ao cumprimento das metas de saneamento e sustentabilidade
urbana.
c) O indicador de moradias afetadas por inundações intensas em
Florianópolis vem apresentando uma trajetória de crescimento
extremamente preocupante. Desde 2018, os resultados evoluíram de
0,5% para 15% em 2024, ultrapassando em muito o limite vermelho
da semaforização (> 3%). Essa tendência de alta contínua evidencia o
agravamento dos impactos tanto do transbordamento de sistemas de
drenagem e esgoto quanto de enchentes provocadas por rios e marés.
As causas possíveis incluem deficiências na manutenção e na
capacidade dos sistemas de drenagem, agravadas por fatores como a
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urbanização desordenada, a impermeabilização do solo e a elevação do
nível do mar. Esse cenário exige investimentos urgentes em
infraestrutura resiliente, aliando medidas de prevenção,
planejamento urbano e adaptação climática. Essa situação exige
investimentos em infraestrutura resiliente e medidas preventivas
robustas para mitigar os efeitos dessas inundações. Adicionalmente, é
essencial promover a conscientização pública sobre práticas de
segurança e planejamento urbano que possam ajudar a reduzir os
impactos desses eventos extremos. Uma gestão hídrica sustentável e o
fortalecimento da infraestrutura de drenagem são fundamentais para
conter o avanço desse problema e proteger as comunidades
vulneráveis. A análise constante dos dados e a implementação de
medidas corretivas imediatas são essenciais para reverter essa
tendência negativa e garantir a segurança das áreas mais afetadas.
d) Entendemos que o investimento em Saneamento e Drenagem
transcende a simples infraestrutura; é uma estratégia essencial para o
desenvolvimento sustentável de Florianópolis, assegurando que a
cidade continue a atrair visitantes e que seus habitantes usufruam de
uma melhor qualidade de vida.
e) Como o novo Plano Diretor permite a venda de potencial construtivo, é
importante a gestão adequada das compensações, a exemplo de
melhorias na mobilidade e drenagem.
f) Observamos, também, que o tema saneamento se consolidou como um
movimento social significativo, com expressiva mobilização por parte
de cidadãos, profissionais e entidades. Esses grupos têm demonstrado
crescente insatisfação com a concessão à Casan, questionando a gestão
de um recurso tão fundamental para a saúde pública e para a qualidade
de vida urbana.
g) O saneamento é reconhecido como um tema prioritário e urgente, um
problema a ser resolvido com máxima rapidez. Acreditamos que as
discussões e reivindicações em torno dessa questão continuarão a
impulsionar melhorias, seja em termos de novas políticas, mudanças de
gestão ou avanços concretos na eficiência desse serviço.
h) Para assegurar um progresso contínuo e consistente, sugerimos que
sejam implementados mecanismos de transparência e engajamento
permanente entre a concessionária, o governo e a sociedade civil.
Relatórios públicos regulares e dados acessíveis sobre os avanços e
desafios podem manter a população informada e participativa,
fortalecendo o acompanhamento das soluções e garantindo que
Florianópolis consiga concretizar as transformações que tanto
necessita.
7.1.3 Tema: Gestão de Resíduos Sólidos – 08 indicadores
a) De acordo com o Banco Mundial, a média global de produção de resíduos
sólidos urbanos é de aproximadamente 0,74 kg por pessoa por dia.
Isso significa uma média anual de cerca de 270 kg por pessoa. Esses
números podem variar dependendo do país e do contexto específico. Em
Florianópolis, o indicador mostra uma oscilação preocupante ao longo dos
últimos anos. Desde 2018, os resultados foram: 2,32 kg/hab/dia; 1,16;
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1,10; 1,05; 1,09; 1,28 e 1,14 em 2024. Embora os valores tenham se
mantido na faixa amarela de semaforização (1,01 a 1,5 kg/hab/dia)
desde 2019, o patamar atual ainda está significativamente acima da média
global de referência. Em 2024, o consumo foi de 1,14 kg/hab/dia, o que
corresponde a aproximadamente 416 kg de resíduos por pessoa ao
ano – mais de 50% superior à média mundial. Essa situação reforça a
necessidade de estratégias consistentes para reduzir a geração de
resíduos na fonte, estimulando práticas de consumo consciente,
reutilização, reciclagem e compostagem. Além disso, políticas
públicas mais efetivas de gestão integrada de resíduos sólidos, aliadas à
conscientização da população, são essenciais para que Florianópolis
avance em direção a padrões mais sustentáveis e compatíveis com a
preservação ambiental.
b) A análise dos dados mais recentes mostra uma tendência positiva na
redução da porcentagem de resíduos sólidos municipais destinados
a aterros sanitários. O percentual, que estava em 93,27% em 2021,
caiu para 88,82% em 2022, 86,38% em 2023 e se manteve em um
patamar similar em 86,81% em 2024. Apesar da leve melhora, a situação
ainda é preocupante. O índice permanece muito acima do patamar de
menos de 35%, que seria considerado ideal para a sustentabilidade. A alta
dependência de aterros sanitários é agravada pelo fato de Florianópolis
não ter uma estrutura própria, destinando a maioria de seus resíduos para
o aterro de Biguaçu. Essa logística de transporte de longa distância não só
aumenta significativamente os custos de gestão, mas também eleva a
pegada de carbono da operação. A boa notícia é que o percentual de
resíduos compostados pela Prefeitura de Florianópolis deu um salto
notável. Depois de subir de 0,91% em 2021 para 4,56% em 2023, a
porcentagem atingiu 12,93% em 2024. Esse aumento demonstra que as
políticas e programas de compostagem estão começando a gerar
resultados expressivos, aproximando a cidade da meta ideal de 20%. É
crucial fortalecer as políticas públicas e os programas de conscientização
para incentivar a participação da população. A melhoria contínua desse
indicador não apenas contribuirá para a preservação ambiental e a saúde
pública, mas também resultará em economia de recursos e na redução dos
impactos negativos das atividades humanas no planeta. A destinação dos
resíduos para fora da cidade ressalta ainda mais a urgência de reduzir a
quantidade de lixo gerado na fonte.
c) A trajetória de reciclagem em Florianópolis tem mostrado um
crescimento constante nos últimos anos. Em 2024, a cidade alcançou
um novo patamar, com 10,73% dos resíduos sólidos separados e
classificados para reciclagem. Esse resultado demonstra uma evolução
positiva, especialmente se comparado aos 3,76% de 2021. No entanto,
é crucial reconhecer que, apesar do avanço, a porcentagem ainda se
encontra na faixa vermelha do sistema de semaforização (abaixo de
15%). Isso indica que a cidade ainda está a uma distância considerável
do parâmetro considerado ideal, que é de 25% ou mais. A melhoria
contínua desse indicador parece ser impulsionada em grande parte por
um amadurecimento e uma crescente conscientização da própria
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população. Para que esse movimento se acelere e a cidade atinja
patamares mais sustentáveis, é fundamental que as políticas públicas
acompanhem esse ritmo. O fortalecimento das parcerias com entidades
de reciclagem e aprimoramento da infraestrutura de coleta seletiva são
essenciais. Além disso, a prefeitura pode ampliar a divulgação dos
resultados e investir em campanhas mais visíveis e eficazes,
transformando o engajamento natural da população em uma ação
coletiva e coordenada. Ao alinhar a conscientização da comunidade com
ações estratégicas de gestão de resíduos, Florianópolis poderá se
aproximar de padrões mais eficientes e se consolidar como uma cidade
verdadeiramente sustentável. .
d) Em 2024, a situação referente ao aproveitamento de resíduos
sólidos para geração de energia em Florianópolis permanece
inalterada, com o indicador em 0%. Essa ausência de avanço reflete
não apenas a falta de iniciativas, mas também a complexidade de se
implementar soluções que possam entrar em conflito com o perfil da
cidade. A forte vocação de Florianópolis para o turismo, serviços e a
chamada "economia limpa" cria barreiras e resistência social e política
a projetos que possam ser associados a grandes estruturas industriais.
Em um cenário de custos crescentes de energia e de urgência em
reduzir o volume de resíduos em aterros, essa inércia representa uma
oportunidade perdida para a cidade, especialmente considerando que a
logística de destinação do lixo já é um grande desafio. O
aproveitamento energético poderia não apenas reduzir os custos
operacionais, mas também mitigar a poluição. Para que Florianópolis
avance em direção a uma gestão de resíduos mais eficiente e
sustentável, é fundamental que as autoridades considerem soluções
que se alinhem ao perfil da cidade. Isso pode envolver a busca por
tecnologias mais modernas, de menor impacto visual e ambiental, ou
modelos descentralizados. Encontrar um caminho que transforme o
resíduo em um recurso energético de forma limpa e compatível com
sua identidade é o passo crucial para a sustentabilidade a longo prazo.
e) É imperativo que Florianópolis adote uma abordagem proativa e
inovadora em relação à gestão de resíduos sólidos. A implementação de
estratégias eficazes para aumentar a coleta seletiva, a reciclagem e o
tratamento de resíduos orgânicos não é apenas uma responsabilidade
ambiental, mas também uma oportunidade de transformar a cidade em
um modelo de sustentabilidade. A sensibilização da população e o
fortalecimento das parcerias com entidades locais são fundamentais
para criar uma cultura de responsabilidade coletiva em relação aos
resíduos. Além disso, a exploração de tecnologias de valorização de
resíduos, como a conversão em energia, deve ser uma prioridade. Ao
agir de forma decisiva agora, Florianópolis pode não apenas avançar em
direção à sua meta de Lixo Zero, mas também garantir um futuro mais
saudável e sustentável para seus cidadãos e o meio ambiente.
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7.1.4 Tema: Energia – 06 indicadores
a) A quantidade anual de horas de interrupções elétricas por cliente em
Florianópolis manteve-se em um patamar satisfatório em 2024, com
uma média de 5,61 h/domicílio/ano. Esse resultado continua na faixa
verde do sistema de semaforização, que considera aceitáveis médias
inferiores a 7 horas. Apesar da leve alta em relação a 2023 (5,45
h/domicílio/ano), o valor de 2024 demonstra a estabilidade da rede
após a significativa elevação para 7,24 horas em 2021. Desde então, a
cidade tem mantido o indicador abaixo do limite de alerta, o que reflete
a resiliência do sistema e os esforços para garantir a qualidade do
fornecimento de energia. A média dos últimos seis anos (5,66
h/domicílio/ano) confirma que, apesar de flutuações pontuais, o serviço
de distribuição de energia na capital tem se mantido dentro de padrões
satisfatórios. No entanto, é fundamental que a concessionária e as
autoridades continuem a investir em manutenção e modernização da
infraestrutura. A atenção contínua é essencial para prevenir novas
instabilidades e assegurar que o fornecimento de energia continue
confiável para a população, apoiando o desenvolvimento econômico e a
qualidade de vida da cidade.
b) Florianópolis deu um salto impressionante na modernização de sua
iluminação pública, alcançando um marco notável em 2024. A
porcentagem de luminárias LED instaladas subiu de 45% em 2023 para
expressivos 77% em 2024, representando um total de 44.660
luminárias. Esse resultado extraordinário coloca a cidade na faixa
verde do sistema de semaforização, superando a meta de 50%. O
avanço é particularmente significativo se comparado ao ritmo lento de
crescimento observado nos anos anteriores, quando a cidade lutava
para sair da faixa vermelha. A transição para a iluminação LED é uma
conquista em múltiplas frentes. Além de reduzir o consumo de energia
e os custos de manutenção para o município, a tecnologia melhora a
segurança e a qualidade de vida da população. É um passo fundamental
em direção a uma cidade mais inteligente e sustentável. Agora, o foco
deve ser na conclusão da substituição das luminárias restantes para
atingir 100% de cobertura, garantindo a manutenção e a eficiência de
todo o sistema.
c) A porcentagem de energia proveniente de fontes renováveis em
Florianópolis continua a apresentar um cenário de grande volatilidade.
Em 2024, o indicador registrou 3,88%, representando uma leve
melhora em relação aos 1,95% dos dois anos anteriores, mas ainda
muito distante do patamar ideal. O resultado de 2024 mantém a cidade
na faixa vermelha, reforçando a necessidade urgente de políticas e
investimentos mais consistentes. O pico de 26,70% em 2021, que
colocou a cidade na faixa amarela, provou ser uma exceção, seguido por
uma queda brusca. A lenta recuperação observada em 2024 evidencia a
falta de uma estratégia de longo prazo para acelerar a transição
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energética. Para alcançar um futuro mais sustentável e cumprir a meta
ambiciosa de mais de 50% de energia de fontes renováveis, é
fundamental que a cidade vá além de iniciativas pontuais. É preciso um
compromisso sério e contínuo com a implementação de tecnologias
limpas e o fomento à geração distribuída. A estabilidade do indicador
em patamares baixos sublinha o tamanho do desafio e a importância de
que a busca por uma matriz energética mais limpa se torne uma
prioridade inegociável.
7.1.5 Tema: Qualidade do Ar – 02 indicadores
A situação do monitoramento da qualidade do ar em Florianópolis
permanece inalterada em 2024, representando uma lacuna crítica na gestão
ambiental em relação aos dados fundamentais sobre a qualidade do ar que se
respira.
A única referência de dados disponíveis para a cidade é o registro de 2014,
quando a concentração de Material Particulado (MP) 10 foi de 23 μg/m³, um
índice satisfatório na época. Contudo, essa informação já obsoleta o que não
necessariamente reflete a realidade atual, que pode ser impactada pelo
crescimento da frota de veículos, atividades da construção civil e outros
fatores.
A ausência de um monitoramento contínuo impede que o poder público
identifique proativamente os riscos ambientais. E, igualmente importante, a
falta de acesso à informação de qualidade impede que a população compreenda
os riscos à sua própria saúde pública e exija políticas mais eficazes. Para
preencher essa lacuna, é fundamental que a cidade estabeleça parcerias
estratégicas com universidades e institutos de pesquisa. A implementação de
um sistema de monitoramento consistente é o primeiro e mais importante
passo para garantir que os dados não apenas sejam coletados, mas também
disponibilizados de forma transparente e acessível para todos os cidadãos.
7.1.6 Tema: Mitigação das mudanças climáticas – 01 indicador
A falta de dados para 2024 referente às emissões de GEE de
Florianópolis confirma a preocupação levantada nos relatórios anteriores: a
coleta de informações sobre este indicador é intermitente e carece de
consistência. Sem a atualização para o ano mais recente, não é possível avaliar
se a significativa redução para 1,74 toneladas per capita, registrada em
2023, reflete uma tendência sustentável ou foi apenas uma variação pontual.
39
Essa lacuna no monitoramento impede uma análise precisa do impacto das
políticas públicas de mitigação das mudanças climáticas. Desde 2014, os
registros têm sido irregulares e, em alguns casos, questionáveis pela sua
uniformidade. A ausência de dados para 2024 é um indicativo claro de que o
problema persiste e que o sistema de monitoramento não está alinhado com a
urgência do tema.
Para que Florianópolis possa, de fato, planejar e implementar estratégias
eficazes contra o aquecimento global, é fundamental que as autoridades, como a
Floram, estabeleçam um sistema de monitoramento contínuo e preciso.
Apenas com dados confiáveis e atualizados será possível avaliar o real progresso
da cidade, justificar investimentos e tomar decisões baseadas em evidências
para um futuro mais verde e resiliente.
7.1.7 Tema: Ruído – 01 indicador
O indicador de ruído nos principais pontos críticos de Florianópolis revela
uma lacuna de monitoramento ainda mais profunda do que a simples ausência
de dados anuais. Conforme informações da fonte, desde 2019, quando o
indicador foi incluído no acompanhamento, a estrutura de medição e
análise nunca foi implementada. Isso significa que, há cinco anos, a cidade
opera sem a capacidade de avaliar, de forma consistente, os níveis de poluição
sonora.
Essa falha sistêmica impede que a Prefeitura e a sociedade em geral tenham
acesso a informações essenciais para a saúde pública e o planejamento urbano.
Sem dados, é impossível identificar áreas críticas, entender os impactos do
ruído no bem-estar da população e desenvolver políticas públicas eficazes,
como ações de controle de tráfego e zoneamento.
A ausência de um sistema de monitoramento não é apenas um problema de
dados, mas um obstáculo fundamental para uma gestão urbana de qualidade. É
crucial que as autoridades reconheçam essa falha e tomem medidas imediatas
para criar a infraestrutura necessária para o acompanhamento do ruído. A
implementação desse sistema não é uma opção, mas uma etapa fundamental
para a garantia de um ambiente mais saudável e habitável para todos os
cidadãos de Florianópolis.
7.1.8 Tema: Vulnerabilidade Frente aos Desastres Naturais no
Contexto das Mudanças Climáticas – 05 indicadores
a) Em 2024, a cidade de Florianópolis manteve-se na faixa verde do
indicador, com 90% das áreas de risco mapeadas. Este é um
resultado positivo que demonstra o compromisso contínuo com a
segurança e o planejamento urbano. No entanto, a pequena queda em
40
relação aos anos anteriores, quando o mapeamento atingiu 100% de
cobertura de 2019 a 2023, acende um sinal de alerta. Embora o
resultado de 90% ainda seja considerado satisfatório, a redução de
dez pontos percentuais levanta questionamentos. É fundamental que as
autoridades identifiquem a causa dessa diminuição, seja por mudanças
na metodologia, o surgimento de novas áreas de risco não mapeadas ou
a descontinuidade de monitoramento em regiões já conhecidas. Para
garantir que a cidade mantenha um alto nível de preparação e
resiliência, é crucial investigar essa variação e trabalhar para retornar a
uma cobertura de 100%. A segurança da população depende de um
monitoramento abrangente e preciso, sem margem para lacunas.
b) O orçamento de Florianópolis destinado à mitigação de riscos
de desastres naturais apresentou uma queda preocupante em 2024.
A porcentagem alocada foi de apenas 0,07%, o que representa uma
redução significativa em relação aos anos anteriores e coloca o
indicador em um de seus patamares mais baixos desde 2020.
Analisando a série histórica, observa-se que o orçamento tem se
mantido na faixa vermelha (abaixo de 0,3%) desde 2020. Enquanto
houve um pequeno aumento progressivo entre 2020 e 2022, o valor de
2024 representa um retrocesso, distanciando a cidade ainda mais do
percentual ideal de mais de 0,5% necessário para a condição verde.
Essa falta de priorização orçamentária para a prevenção e resposta a
desastres naturais é alarmante, especialmente no contexto de um clima
cada vez mais instável. O baixo nível de investimento compromete a
capacidade da cidade de se tornar mais resiliente e segura. É crucial
que a administração pública reveja a alocação de recursos, pois o
aumento de verbas nessa área é fundamental para proteger vidas e a
infraestrutura urbana a longo prazo.
c) O indicador que acompanha o número de edificações em áreas de
risco em Florianópolis continua a apresentar um crescimento
alarmante. Em 2024, o número de unidades registradas subiu para
2.100, uma elevação significativa em relação às 1.593 de 2023 e às
1.080 de 2022. Essa tendência de aumento constante e acentuado,
mesmo sem uma série histórica mais ampla, já é um sinal de alerta
grave. O crescimento de edificações em locais suscetíveis a
deslizamentos e inundações indica um desafio cada vez maior para a
segurança e a resiliência da cidade. A ausência de um parâmetro de
semaforização não diminui a urgência da situação. A progressão de
1.080 para 2.100 unidades em apenas dois anos aponta para uma
expansão descontrolada de ocupações em áreas de risco. É fundamental
que as autoridades de Florianópolis intensifiquem as estratégias de
fiscalização, prevenção e, quando necessário, de realocação de famílias,
para mitigar os perigos e proteger a vida dos cidadãos.
41
7.2. Dimensão Urbana
Florianópolis (Plano de Ação Florianópolis Sustentável 2014 -
https://issuu.com/ciudadesemergentesysostenibles/docs/florianopolissustentav
el; acessado em 14/11/2024) definiu como estratégia de ação a busca da
garantia da sustentabilidade urbana, isto é, pensar permanentemente a relação
entre o ambiente natural e o ambiente construído. Para tanto é necessário um
planejamento estruturado de forma a atacar as vulnerabilidades, bem como
preparar o Município para as mudanças, gerenciando a expansão da
urbanização e evitando a expansão predatória sobre seus recursos ativos
ambientais. Isso implica organizar o seu território, implementar mecanismos de
integração de políticas públicas de criação de oportunidades de
desenvolvimento qualitativo de vida de sua população residente, imigrantes e
visitantes temporários. Ora o estado de cada indicador revela o avanço das
ações planejadas ou não. Cada vez mais fica evidenciado a importância do
fortalecimento da solidariedade e cooperação entre todos os Agentes da
Sociedade para a complementação das ações e resultados positivos esperados
ou preconizados. A solidariedade e cooperação não pode ser só um traço entre
indivíduos, grupos ou lugares, mas especialmente com a natureza, aspecto
especial marcante no caso de Florianópolis que protege praticamente 60% do
seu território como Áreas de Preservação Permanente, verdadeiro capital
natural de intensas trocas com o espaço social construído.
A sustentabilidade ambiental, econômica e social vem ganhando contornos
positivos crescentes, consequentemente gerando padrões mais elevados de vida
para seus habitantes, destacando-se como uma cidade muito atrativa no cenário
nacional. Há muitas questões preocupantes, mas algumas fizeram parte das
discussões da revisão do Plano Diretor como a expansão urbana, densidade,
verticalização, centralidades, mobilidade, orla marítima, habitação, … A falta de
informações sistemáticas como a expansão da malha urbana, densidade urbana,
déficit habitacional, etc em 2023 e 2024 prejudica o processo de análise e
visualização do desenvolvimento de Florianópolis. Resta-nos o pedido insistente
de fornecimento desses dados para a garantia das informações necessárias para
a sociedade florianopolitana.
7.2.1 Tema: Uso do Solo e Ordenamento Territorial – 11 indicadores
A) O indicador de crescimento da malha urbana de Florianópolis
continua a apresentar um desempenho positivo e consistente. Em 2024,
a expansão da malha viária foi de 1,41%, mantendo o percentual na
faixa verde do sistema de semaforização, que estabelece o limite de
3% ao ano para um crescimento saudável e planejado. Analisando a
série histórica disponível, é evidente que a cidade tem conseguido
manter o seu desenvolvimento dentro de um ritmo sustentável desde
2019. Os dados mostram uma flutuação controlada, mas sempre abaixo
do limite de alerta. A ausência de um registro para 2023 não impede a
análise de uma tendência de crescimento que, apesar da expansão, se
mantém alinhada com os princípios de um planejamento urbano
consciente e voltado à sustentabilidade.Esse resultado é um sinal
42
positivo de que Florianópolis está conseguindo conciliar seu
desenvolvimento com a necessidade de preservar sua qualidade de vida
e o meio ambiente natural. A manutenção desse padrão é fundamental
para garantir que o crescimento da cidade ocorra de forma ordenada e
benéfica para todos os cidadãos.
B) A análise do crescimento demográfico de Florianópolis em 2024
apresenta um desafio devido à falta de dados fornecidos pela fonte
oficial da Prefeitura Municipal de Florianópolis (PMF). No entanto, com
base em projeções e estimativas de fontes confiáveis como o IBGE, foi
possível obter uma visão atualizada e crucial sobre a dinâmica
populacional da cidade.Os dados mais recentes indicam que a
população de Florianópolis alcançou aproximadamente 576 mil
habitantes em 2024, com projeções apontando para cerca de 587,5
mil em 2025. Esse crescimento representa um aumento anual de
aproximadamente 1,9%. Embora inferior ao pico atípico de 4,01%
registrado em 2022, esse percentual ainda coloca o crescimento
demográfico na faixa vermelha (acima de 1,5% ao ano), confirmando
que a cidade mantém um ritmo de expansão acelerado. Essa rápida
elevação na densidade populacional intensifica a pressão sobre a
infraestrutura urbana, os serviços públicos e o meio ambiente. O
aumento da população exige uma gestão mais estratégica do espaço
urbano e um planejamento que garanta o equilíbrio entre a expansão da
cidade e a preservação de sua qualidade de vida. O monitoramento
contínuo e preciso desses indicadores é fundamental para que as
políticas públicas possam responder de forma eficaz aos desafios e
oportunidades que o crescimento acelerado impõe.
C) O indicador de densidade populacional por área urbanizada
continua a apresentar um aumento significativo. Embora a fonte oficial
não tenha fornecido dados para 2023 e 2024, a projeção baseada na
população do Censo de 2022 e nas estimativas mais recentes do IBGE
revela um crescimento contínuo. A densidade, que em 2022 era de
5.113,88 hab/km², é estimada em 5.300,22 hab/km² em 2023 e
atinge 5.486,56 hab/km² em 2024. Esse aumento progressivo da
densidade, que se mantém em um ritmo acelerado, reforça as
conclusões sobre a necessidade de um planejamento urbano eficaz.
Uma maior concentração de pessoas em uma área limitada gera
desafios relacionados ao congestionamento, à pressão sobre a
infraestrutura e à demanda por serviços públicos de qualidade. É crucial
que as autoridades municipais utilizem esses dados e projeções para
adotar medidas que garantam um desenvolvimento urbano ordenado. O
monitoramento preciso da densidade populacional é essencial para
assegurar que o crescimento da cidade não comprometa a qualidade de
vida dos cidadãos e a sustentabilidade ambiental.
D) A análise da porcentagem de moradias de Florianópolis que não
respeitam os padrões de habitabilidade enfrenta uma lacuna de
dados alarmante. Conforme informações da fonte, o último registro
43
oficial para este indicador é de 2019, quando o percentual era de
2,52%. A ausência de monitoramento sistemático desde então impede
qualquer avaliação sobre a situação atual e representa um obstáculo
para a gestão pública. No entanto, um relatório oficial mais recente
lança luz sobre a gravidade do problema habitacional. O "Estudo
Sobre o Déficit Habitacional de Florianópolis" (agosto de 2023),
de autoria do município, indicou que 6.163 famílias inscritas no
CadÚnico não possuem moradia adequada. Esse número representa
15% das famílias analisadas, um dado muito superior ao último
registro oficial disponível e que evidencia que a cidade enfrenta um
desafio habitacional muito maior do que o historicamente monitorado.
E) A análise do déficit habitacional quantitativo em Florianópolis está
comprometida pela falta de informações. A fonte não disponibilizou
dados para 2024, o que impede qualquer avaliação sobre a evolução de
um dos indicadores sociais mais críticos da cidade.
F) Os últimos dados disponíveis, de 2022 e 2023, já pintam um quadro
alarmante, com um déficit de 21.705 famílias, o que representa 52%
do total de famílias cadastradas no CadÚnico. Esse percentual está
muito acima do limite de 20% que estabelece a condição vermelha,
sinalizando um grave problema de acesso à moradia. A ausência de
dados para 2024, em particular, impossibilita saber se o cenário se
agravou, se estabilizou ou se as políticas do novo Plano Diretor, que têm
a moradia como ponto central, começaram a gerar resultados.Essa
lacuna na coleta de informações demonstra a falta de um sistema de
monitoramento eficaz e compromete a capacidade da Prefeitura de
gerir e mensurar a eficácia de suas políticas. Para que o compromisso
com a redução do déficit habitacional se traduza em ações efetivas, é
crucial que a cidade priorize a coleta de dados de forma contínua e
confiável. A transparência e a disponibilidade desses dados são
fundamentais para que o poder público e a sociedade possam
acompanhar o progresso e garantir que a população em vulnerabilidade
social tenha acesso a moradias dignas.
G) A falta de informações sobre o percentual de edificações em áreas de
conflito ambiental se tornou um problema crônico em Florianópolis.
Pelo segundo ano consecutivo, a fonte não disponibilizou dados para
2023 e 2024, criando uma lacuna de monitoramento que impede a
análise e a definição de ações eficazes. Os últimos dados disponíveis, de
2019 a 2022, já indicavam um cenário preocupante. Com percentuais
que variaram entre 9,24% e 10,65%, o indicador se manteve em
uma situação de alerta máximo, bem acima do limite de 2% que o
enquadra na faixa vermelha. Essa tendência histórica de ocupação
irregular em áreas de risco ambiental, combinada com a ausência de
monitoramento atual, é um fator de grande preocupação. Essa falta de
informações não apenas demonstra a incapacidade do poder público em
mensurar a dimensão do problema, mas também impede a avaliação do
impacto de iniciativas como o projeto REURB. É fundamental que a
44
cidade rompa com essa inércia e estabeleça um sistema de
monitoramento contínuo e transparente. A falta de dados pode levar a
uma percepção de que o problema foi negligenciado, comprometendo a
credibilidade e a eficácia das políticas de gestão territorial e ambiental.
H) A análise da gestão ambiental em Florianópolis revela um paradoxo
preocupante. A cidade se destaca por seu capital natural, com vastas
áreas protegidas sob legislações federais, estaduais e municipais,
formando um verdadeiro mosaico de conservação. Exemplos notáveis
incluem o Parque Nacional da Serra do Tabuleiro, o Parque Estadual do
Rio Vermelho e a Área de Proteção Ambiental (APA) de Santo Antônio
de Lisboa, além das 10 Unidades de Conservação (UCs) de gestão
municipal. No entanto, a eficácia da proteção dessas áreas está em
sério risco. O indicador de UCs com plano de manejo, que é
fundamental para a gestão e fiscalização, registrou uma queda
alarmante. Em 2024, apenas 20% das UCs municipais tinham seu
plano de manejo, uma redução drástica em relação aos 41,6% de
2022. Essa queda representa um retrocesso significativo, distanciando
a cidade da meta desejável de mais de 95%. A falta de planos de
manejo adequados compromete a integridade dessas áreas protegidas e
agrava problemas já existentes, como a ocupação irregular do solo.
Embora o percentual de áreas parceladas com irregularidades tenha se
mantido estável em torno de 37,89% em 2024, a ausência de um
plano de gestão robusto para as UCs dificulta o combate a novas
irregularidades. O novo Plano Diretor aprovado na Câmara é um
instrumento fundamental para o ordenamento territorial. No entanto,
sua eficácia depende da sua capacidade de ser colocado em prática, o
que, no caso das áreas protegidas, requer a conclusão urgente dos
planos de manejo para garantir a segurança e a preservação do
inestimável patrimônio natural de Florianópolis.
7. 2.2 Tema: Desigualdade Urbana – 07 indicadores
Esse tema tem uma importância significativa porque mede a qualidade de vida
no processo de urbanização nos diferentes segmentos sociais da cidade.
A) A análise dos indicadores de pobreza e desigualdade em Florianópolis
para 2024 traz um cenário com avanços notáveis, embora desafios
persistam. A cidade continua a se destacar no contexto nacional,
reforçando sua posição como um local com melhores condições sociais.
Os dados mais recentes da PNAD Contínua (2023) indicam que a
porcentagem da população de Florianópolis vivendo abaixo da
linha internacional de pobreza é de 4,8%. Esse número representa
uma melhoria em relação aos 5,27% registrados em anos anteriores. A
informação sobre a linha nacional de pobreza se mantém em
4,81% (repetindo o dado de 2023). Embora a situação da capital seja
45
muito superior à média nacional (29,6%) e estadual (10,16%), é
importante notar que o patamar atual ainda é significativamente mais
alto que o registrado no Censo de 2010, quando a taxa era de apenas
1,35%. Isso evidencia que, apesar dos avanços, o combate à pobreza
ainda exige atenção contínua. O indicador que mede a concentração de
renda em Florianópolis alcançou uma marca histórica. Com o registro
de 0,4 no Coeficiente de Gini (dados IBGE 2023), a cidade atingiu a
condição de situação satisfatória, conforme estabelecido para este
relatório. Essa marca representa um avanço significativo em relação ao
0,41% de 2022 e 0,54% de 2010. A redução da desigualdade de renda
é uma das maiores conquistas da cidade neste período, demonstrando
que políticas e dinâmicas econômicas estão contribuindo para uma
distribuição de renda mais equitativa. Em resumo, a cidade celebra a
conquista de ter alcançado um patamar satisfatório na redução da
desigualdade. No entanto, o desafio de diminuir o percentual da
população abaixo da linha de pobreza, que ainda está acima dos níveis
históricos, deve permanecer como uma prioridade na agenda de
políticas públicas.
B) A análise da remuneração média dos trabalhadores formais em
Florianópolis continua comprometida pela falta de dados atualizados. A
fonte responsável pelo seu relatório não disponibilizou informações
para 2023 e 2024, criando uma lacuna que impede o monitoramento
em tempo real da saúde econômica da cidade. No entanto, com base em
fontes de dados públicas e oficiais, podemos atualizar a análise até o
ano mais recente com informações consolidadas.
● Dados da RAIS (Ministério do Trabalho e Emprego): O
conjunto de dados completo mais recente da RAIS, divulgado
em 2023, aponta para o ano de 2022. Conforme essa fonte, a
remuneração média dos trabalhadores formais em Florianópolis
subiu para R$ 5.867,14, o que representa um aumento em
relação ao salário de R$ 5.459,98 (RAIS 2021) do ano anterior.
A ausência de informações para os anos de 2023 e 2024, no entanto,
reforça a necessidade de um sistema de coleta de dados mais ágil e
consistente. Sem ele, a capacidade da cidade de entender as
desigualdades urbanas, planejar políticas econômicas e avaliar a
qualidade de vida da população em tempo real fica significativamente
limitada.
7. 2.3 Tema: Mobilidade e Transporte – 23 indicadores.
A mobilidade e o transporte em Florianópolis continuam a ser um dos desafios
mais urgentes da cidade, afetando a rotina de moradores e o fluxo de turistas. A
complexidade do problema abrange desde a infraestrutura viária limitada,
que cria pontos de congestionamento crônico, até a falta de um sistema
46
integrado de modais, que poderia desafogar as vias e oferecer alternativas ao
uso massivo do carro particular.
A geografia única da cidade, com suas pontes e a divisão entre ilha e continente,
amplifica as dificuldades, evidenciando a necessidade de um planejamento
regional que vá além dos limites municipais. Há um consenso de que a solução
para os gargalos urbanos passa por uma gestão mais eficiente do sistema de
transporte público coletivo, a implementação de novas tecnologias e a
integração de modais como o transporte marítimo.
Nesse cenário, iniciativas como o projeto da Marina da Beira-Mar Norte, que
sinaliza o destravamento de um sistema de transporte marítimo, representam
um passo positivo. O caminho para uma mobilidade urbana mais eficiente
exige a colaboração de todos e a implementação de ações concretas para uma
cidade mais fluida e conectada.
Convém destacar;
Mobilidade e Transporte Urbano: Panorama 2024
a) A mobilidade urbana em Florianópolis, um dos desafios mais complexos
da cidade, apresentou um cenário de contrastes em 2024. Enquanto a
capacidade do sistema de transporte público teve um aumento notável,
a eficiência e o custo do serviço continuaram a preocupar. A alta
motorização da população segue sendo um obstáculo, mas avanços na
segurança viária indicam um caminho positivo.
Transporte Público: Custo, Velocidade e Capacidade
b) O custo do transporte público por passageiro subiu para R$ 5,84 em
2024, continuando a tendência de aumento dos últimos anos. A
velocidade média da frota, por sua vez, registrou uma leve queda,
chegando a 22,91 km/h, um índice que a mantém na faixa amarela
(15-30 km/h) e longe do ideal de fluidez.
c) Em contrapartida, a capacidade de transporte ofertada teve um
aumento expressivo, atingindo a média mensal de 16.099.959,
superando o pico histórico de 2022. Esse crescimento na oferta é
fundamental para atender à crescente demanda. No entanto, o sistema
ainda carece de modernização: a frota continua sem veículos movidos a
energia elétrica, com 0% de adoção, e a idade média dos ônibus subiu
para 8,94 anos, indicando que, embora ainda na faixa amarela, a frota
está envelhecendo e se distanciando da meta de uma frota mais nova e
eficiente.
Desafios da Motorização e Infraestrutura
d) A quantidade de veículos particulares per capita registrou um novo
pico, chegando a 0,723, retornando ao patamar de 2022 e se mantendo
muito acima do ideal de 0,3. Esse número elevado de carros é um dos
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principais fatores para a baixa velocidade do transporte público e os
congestionamentos, que se refletem na velocidade média de viagem